Uma folha que atravessou séculos e oceanos até chegar à Serra da Mantiqueira.
A Melaleuca alternifolia é nativa da costa subtropical do nordeste da Austrália. É uma região de rios e áreas alagadas, onde a planta cresce em grupos densos e perfumados.
Muito antes de qualquer frasco ou rótulo, ela já fazia parte da vida dos povos originários. O povo Bundjalung, do norte de Nova Gales do Sul, conhecia a planta há séculos. Eles amassavam as folhas para liberar o aroma, preparavam infusões e preservavam, na tradição oral, histórias de lagos onde as folhas caídas tingiam a água.
O nome em inglês, tea tree (“árvore do chá”), costuma ser atribuído aos relatos da expedição do capitão James Cook, no século XVIII. Os navegadores europeus usavam folhas de plantas da região para preparar infusões, como substituto do chá. O nome pegou e acompanha a Melaleuca até hoje.
Nos anos 1920, o químico australiano Arthur Penfold estudou os óleos essenciais de diversas plantas nativas da Austrália. O óleo de Melaleuca alternifolia chamou atenção e passou a ser tema de publicações científicas. Começava ali o interesse comercial pelo óleo.
Nas décadas de 1970 e 1980, surgiram as primeiras grandes plantações comerciais em Nova Gales do Sul. A colheita deixou de ser extrativista e passou a ser agricultura planejada. O óleo de tea tree ganhou o mundo.
No Brasil, a história é recente. Os primeiros registros de cultivo estudado são do fim dos anos 1990 e início dos 2000, em Viçosa (MG), onde pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa avaliaram como a planta se adaptava ao solo e ao clima brasileiros. Foi também ali que surgiu uma das primeiras produções comerciais de óleo no país.
Nos anos seguintes, o cultivo chegou a Santa Catarina, com plantios em Joinville e Palhoça. Em 2006, a Epagri implantou uma área experimental em Itajaí. Os estudos mostraram algo importante: cultivada fora das áreas alagadas, a Melaleuca brasileira produz um óleo com as mesmas características do australiano.
Hoje, a Melaleuca também cresce na Fazenda Sertão, em Santo Antônio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira. Esta terra está na nossa família desde 1988 e é o nosso Território de Longevidade.
Aqui, a planta encontra altitude, ar puro e cuidado em cada etapa. Para nós, a história da Melaleuca mostra que o que é bom atravessa o tempo, desde que alguém cuide da origem.
Da nossa terra para você.
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